Preservando a Cultura Pantaneira

Beneficiado por dois editais, Projeto Sapicuá Pantaneiro inaugura sede e amplia oferecimento de regiões do Rio Negro, Nhecolândia e Nabileque

O projeto Sapicuá Pantaneiro, que inaugura hoje sua sede, às 9h, entra numa nova etapa de atuação em áreas do Rio Negro, Nhecolândia e Nabileque, locais que desde 2003 implantam intensa atividade de resgate da cultura do Pantanal. O objetivo é a preservação da tradição local e propiciar novas perspectivas econômicas aos moradores da região.

O espaço está localizado no Bairro Nova Aquidauana, em Aquidauana, onde é possível encontrar várias famílias de pantaneiros. “Há outros pontos da cidade nos quais é possível perceber a presença dos pantaneiros, onde os maridos trabalham nas fazendas e como as criaças tem que estudar, parte da família se fixa nos bairros periféricos da cidade. No caso da Nova Aquidauana, o número dessas famílias é significativo, tornando-se um local favorável ao tipo de atividade que fazemos”, explica a coordenadora do projeto Cláudia Medeiros.

Atualmente a iniciativa conta com patrocínio de dois editais públicos. Primeiro no ano passado, tornou-se ponto de cultura, obtendo recursos do Ministério da Cultura e da Fundação de Cultura do Estado. Com isso, poderá intensificar as oficinas, cursos e palestras, além de implantar ações de registro audiovisual, não somente do projeto, mas de aspectos do cotidiano dos moradores do Pantanal.

“No futuro poderemos atuar como uma produtora de vídeo, realizando documentários e outros tipos de iniciativas na área do audiovisual”, planeja Cláudia. Como ponto de cultura, o projeto recebe estrutura para inclusão digital.

Artesanato
Outro edital do qual saiu vencedor foi o da Caixa Econômica Federal, que tem como meta o desenvolvimento do artesanato regional, que propiciará a realização dos seminários de Gestão da Produção Artesanal e História das Comitivas.

Em oito anos de atividade, o Sapicuá Pantaneiro realizou em fazendas e escolas da região do Pantanal peto de 70 oficinas de produção de faixa paraguaia, aquela que o pantaneiro coloca na cintura oara dar sustentação à coluna em suas longas cavalgadas. “Cada oficina tem a duração de 40 horas. Nossa intenção não é somente repassar questões técnicas de produção das faixas, mas possibilitar o enfoque na família e, a partir dela, discutir questões referente à cultura pantaneira, aspectos que de certa forma, vão se perdendo pelo progresso”, destaca Cláudia.

Além da faixa pantaneira, também são produzidas nas oficinas a bruaca, bolsa feita de couro que nas comitivas serve para transportar utensílios de cozinha necessários para os peões cozinharem nas viagens de longa duração. Outros itens produzidos são o tear em miniatura, cerâmica, confecção de chinelos e bancos. Há participação de criaças e adultos.

As oficinas são desenvolvidas dentro de uma metodologia específica que atende as necessidades locais, valoriza a história, a conservação da natureza e o aproveitamento de matéria-prima existente no Pantanal, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e integrado ao turismo, a cultura e ao meio ambiente. “Como ponto de cultura, o projeto pode efetuar atividades mais amplas, incluindo maior pesquisa para aprimrarmos nossa atuação”, aponta Cláudia. Um espaço da nova sede será dedicada à divulgação da leitura, denominada “Bruaca literária”. No futuro, as bruacas produzidas nas oficinas serão utilizadas para levar os livros para fazendas e escolas do Pantanal.

Publicado em 18/07/2011
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Autor: Oscar Rocha

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